Sábado, 14 de Novembro de 2009
Dia Mundial da Diabetes

 

A diabetes mellitus é uma perturbação em que os valores sanguíneos de glicose (um açúcar simples) são anormalmente altos dado que o organismo não liberta insulina ou utiliza-a inadequadamente.

Com frequência os médicos usam o nome completo de diabetes mellitus para distinguir esta doença da diabetes insípida, mais rara.

As concentrações de açúcar (glicose) no sangue variam durante o dia. Aumentam depois de cada refeição, recuperando-se os valores normais ao cabo de duas horas. Estes situam-se entre 70 e 110 miligramas por decilitro (mg/dl) de sangue durante a manhã depois de uma noite de jejum normal, sendo inferiores aos valores de 120 a 140 mg/dl ao cabo de duas horas da ingestão de alimentos ou líquidos que contenham açúcar ou outros hidratos de carbono. Os valores normais tendem a aumentar ligeiramente e de modo progressivo depois dos 50 anos de idade, sobretudo em pessoas que levam uma vida sedentária.

A insulina, uma hormona produzida pelo pâncreas, é a principal substância responsável pela manutenção dos valores adequados de açúcar no sangue. Permite que a glicose seja transportada para o interior das células, de modo que estas produzam energia ou armazenem a glicose até que a sua utilização seja necessária. A elevação das concentrações de açúcar no sangue depois de comer ou beber estimula o pâncreas para produzir a insulina, a qual evita um maior aumento dos valores de açúcar e provoca a sua descida gradual. Dado que os músculos utilizam glicose para produzir energia, os valores de açúcar no sangue também diminuem durante a actividade física.

 

 

Causas

 

A diabetes manifesta-se quando o corpo não produz a quantidade suficiente de insulina para que os valores sanguíneos de açúcar se mantenham normais ou quando as células não respondem adequadamente à insulina. Na denominada diabetes mellitus tipo I (diabetes insulinodependente), a produção de insulina é escassa ou nula. Apesar de se tratar de uma doença com uma alta prevalência, só 10 % de todos os diabéticos tem a doença tipo I. A maior parte dos doentes que sofrem de diabetes tipo I desenvolvem a doença antes dos 30 anos.

Os cientistas acreditam que um factor ambiental (possivelmente uma infecção viral ou um factor nutricional na infância ou na adolescência) provoca a destruição, pelo sistema imunitário, das células que produzem a insulina no pâncreas. É mais provável que seja necessária uma predisposição genética para que isto aconteça. Seja como for, na diabetes tipo I mais de 90 % das células que produzem a insulina no pâncreas (células beta) são destruídas de uma forma irreversível. A deficiência insulínica consequente é grave e, para sobreviver, uma pessoa com esta afecção deve injectar-se regularmente com insulina.

Na diabetes mellitus tipo II (diabetes não insulinodependente), o pâncreas continua a produzir insulina, inclusive em valores mais elevados que os normais. Contudo, o organismo desenvolve uma resistência aos seus efeitos e o resultado é um relativo défice insulínico. A diabetes tipo II aparece nas crianças e nos adolescentes, mas em geral começa depois dos 30 anos e é mais frequente a partir desta idade. Cerca de 15 % dos doentes maiores de 70 anos sofrem de diabetes tipo II. A obesidade é um factor de risco para a diabetes tipo II, já que os obesos se contam entre 80 % e 90 % das pessoas que sofrem desta doença. Também certas etnias e alguns grupos culturais correm um maior risco de desenvolver esta perturbação, sendo frequente, entre os que a sofrem, a existência de antecedentes familiares.

Outras causas menos comuns da diabetes são os valores anormalmente altos de corticosteróides, a gravidez (diabetes gestacional)  e os medicamentos e substâncias tóxicas que interferem com a produção ou os efeitos da insulina, aumentando os valores de açúcar no sangue.

 

 

Sintomas

 

Os primeiros sintomas da diabetes relacionam-se com os efeitos directos da alta concentração de açúcar no sangue. Quando este valor aumenta acima dos 160 a 180 mg/dl, a glicose passa para a urina. Quando o valor é ainda mais alto, os rins segregam uma quantidade adicional de água para diluir as grandes quantidades de glicose perdida. Dado que produzem urina excessiva, eliminam-se grandes volumes de urina (poliúria) e, por conseguinte, aparece uma sensação anormal de sede (polidipsia). Como se perdem demasiadas calorias na urina, também se dá uma perda de peso e, como compensação, a pessoa sente muitas vezes uma fome exagerada (polifagia). Outros sintomas compreendem visão esfumada, sonolência, náuseas e uma diminuição da resistência durante o exercício físico. Por outro lado, se a diabetes está mal controlada, os doentes são mais vulneráveis às infecções. Por causa da gravidade do défice insulínico, é frequente que nos casos de diabetes tipo I se perca peso antes do tratamento. Em contrapartida, não acontece a mesma coisa na diabetes tipo II.

Nos diabéticos tipo I os sintomas iniciam-se de forma súbita e podem evoluir rapidamente para uma afecção chamada cetoacidose diabética. Apesar dos elevados valores de açúcar no sangue, a maioria das células não podem utilizar o açúcar sem a insulina e, portanto, recorrem a outras fontes de energia. As células gordas começam a decompor-se e produzem corpos cetónicos, compostos químicos tóxicos que podem produzir acidez do sangue (cetoacidose). Os sintomas iniciais da cetoacidose diabética são: sede e micção excessivas, perda de peso, náuseas, vómitos, esgotamento e, sobretudo em crianças, dor abdominal. A respiração torna-se profunda e rápida porque o organismo tenta corrigir a acidez do sangue. A respiração da pessoa cheira a acetona. Se não se fizer nenhum tratamento, a cetoacidose diabética pode progredir e levar ao coma, por vezes em poucas horas.

Os pacientes que sofrem de diabetes tipo I podem mostrar os sintomas da cetoacidose, mesmo depois de iniciado o tratamento com insulina, se se esquecerem de uma injecção ou se tiverem uma infecção, um acidente ou uma doença grave. A diabetes tipo II pode não causar qualquer sintoma durante anos ou décadas. Quando a deficiência insulínica progride, os sintomas começam a manifestar-se. No princípio, o aumento da micção e da sede são moderados, embora piorem gradualmente com o decurso do tempo. A cetoacidose é uma afecção rara. Se a concentração de açúcar no sangue for muito elevada (superior a 1000 mg/dl), em geral devido ao stress provocado por uma infecção ou um medicamento, produz-se desidratação grave, confusão mental, sonolência, convulsões e uma afecção denominada coma hiperglicémico hiperosmolar não cetósico.

 

 

Complicações

 

À medida que a perturbação se desenvolve, as concentrações elevadas de açúcar no sangue lesam os vasos sanguíneos, os nervos e outras estruturas internas. Substâncias complexas derivadas do açúcar acumulam-se nas paredes dos pequenos vasos sanguíneos, provocando o seu espessamento e ruptura. Este aumento de espessura é a causa que faz com que os vasos sanguíneos forneçam cada vez menos sangue, sobretudo para a pele e para os nervos. Os valores de açúcar pouco controlados também tendem a aumentar as concentrações de substâncias gordas no sangue e, por conseguinte, verifica-se uma arteriosclerose acelerada (formação de placas nos vasos sanguíneos). (Ver secção 3, capítulo 26) A arteriosclerose é de duas a seis vezes mais frequente nos diabéticos do que nos não diabéticos e produz-se tanto nos homens como nas mulheres. A diminuição da circulação sanguínea, tanto pelos vasos grandes como pelos pequenos, pode provocar alterações fisiológicas no coração, cérebro, pernas, olhos, rins, nervos e pele, demorando também a cura das lesões.

 

Órgãos afectados com mais frequência

 

Complicação da diabetes a longo prazo
Tecido ou órgão afectado O que acontece Complicações
Vasos sanguíneos Formam-se placas ateroscleróticas e obstruem as artérias grandes ou médias do coração, cérebro, pernas e pénis. As paredes dos pequenos vasos sanguíneos danificam-se de tal modo que os vasos não permitem a passagem normal de oxigénio para os tecidos e também podem romper-se e perder sangue. A pouca circulação causa feridas que saram com dificuldade e pode produzir insuficiência cardíaca, icto, gangrena nos pés e mãos, impotência e infecções.
Olhos Os pequenos vasos sanguíneos da retina ficam lesados. Visão diminuída e, finalmente, cegueira.
Rim Os vasos sanguíneos do rim espessam-se, as proteínas perdem-se pela urina, o sangue não é filtrado normalmente. Funcionamento renal deficiente; insuficiência renal.
Nervos Os nervos ficam danificados porque a glicose não é metabolizada normalmente e porque o fornecimento de sangue é inadequado. Fraqueza repentina ou gradual de uma perna; sensibilidade reduzida, formigueiro e dor nas mãos e nos pés, lesão crónica dos nervos.
Sistema nervoso autónomo Lesão nos nervos que controlam a pressão arterial e os processos digestivos. Oscilações na pressão arterial, dificuldades na deglutição e alterações do funcionamento gastrointestinal, com episódios de diarreia.
Pele Má circulação do sangue na pele e perda da sensibilidade em resultado de lesões repetidas. Chagas, infecções profundas (úlceras diabéticas); cura muito difícil.
Sangue Deteriora-se o funcionamento dos glóbulos brancos. Aumento da propensão para as infecções, especialmente do tracto urinário e da pele.
Tecido conjuntivo Metabolização anormal da glicose, fazendo com que os tecidos se espessem ou se contraiam. Síndroma do canal cárpico; contractura de Dupuytren.

 

     

 

                


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publicado por tudoanorte às 15:29
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